“HOMOGRAFIA”A arte digital homoerótica

O termo homografia é uma inevitável e lógica adaptação da palavra “homographix”, criada por Bernardo de Gregório (Mr. B), guru e pioneiro no Brasil quando o assunto é arte digital homoerótica. Mr. B criou o site www.homographix.com, e lançou, recentemente, o grupo homônimo, revelando e divulgando internacionalmente artistas brasileiros gls que trabalham com o computador.

Faço parte deste grupo e, através dele conheci artistas que apreciaram meu trabalho e convidaram-me a ingressar em seus grupos, como o Bryan, da Costa Rica (http://groups.yahoo.com/group/KINRODPHOTOART/), e o irlandês Peter Savorico (http://gay.pornparks.com/mew/index.htm).

Muitos são os recursos empregados. Cada artista usa seus programas prediletos. Os mais comuns são o Photo Shop, o Paint Shop Plus e o Corel Draw, com seus inúmeros “plugins” e “filtros”, e as técnicas mais sofisticadas, como o 3D e o “flash”. O resultado também varia, e muito, com a forma de escanear a imagem e o tipo de “scanner” usado.

Uma grande referência no uso de fotos para a pintura digital, é o polonês Chris Oku (http://oku.gaypl.pl), e o americano Mulawin (http://hot.netporn.com/gay/mulawin12001/galleries.html). Já no “design” gráfico, citaria a paulista Victoria e o grego Iolaos (http://www.iolaos.info/photoalbum.phg). O desenho digital é bem representado pelos americanos Rob Clarke (www.robclarke.net), e Joe Phillips, com seu sutilíssimo humor (www.joephillips.com). Um excelente exemplo de arte homoerótica “3D”, encontramos no site do controverso artista lituano “Grease Tank” (www.greasetank.com).

Em todo o mundo são milhares de grupos e sites dedicados à arte homoerótica, porém, artistas digitais de projeção mundial que trabalham com o tema da homoeroticidade, são apenas algumas dezenas. Há exposições virtuais, como na Oku’s Gallery (Polônia, site citado), e no Museo Gilardi (Itália, www.museogilardi.it), e não podemos esquecermo-nos da fantástica Tom Of Finland Foundation (http://64.224.217.112/foundation/welcome.html), que promove prêmios para artistas plásticos que trabalham com o homoerotismo masculino. No Brasil há um grande descaso pela arte e pelos artistas nacionais, o que torna o patrocínio extremamente difícil, fazendo com quê o público prefira artistas internacionais. Como se não bastasse, há, ainda, uma grande e desagradável confusão entre o quê é Arte Erótica, e pornografia. Neste caso, o preconceito é ainda maior.

Já houve ocasião de nossos trabalhos terem sido designados como “arte menor”. Fiquei imaginando Miguelangelo – mantida a devida e óbvia “distância”; certamente não abriria mão dos pincéis e martelos, mas, desconfio que não descartaria o computador, e faria “horrores” maravilhosos com um mouse nas mãos e toda a parafernália de ferramentas digitais. Outras vezes, algumas pessoas confundem os termos ao classificar-nos como “webdesigners”. Estes, sem dúvida, têm um trabalho respeitado e que requer sensibilidade artística, todavia, acredito que possamos definir o artista digital pura e simplesmente como artista plástico.

Pensando melhor, é impossível classificar todos, nesta época do “pós-tudo”. Como bem define Mr. B: “Cada artista é seu próprio movimento artístico, e a idéia de uma unidade na criação sobre um mesmo conjunto de idéias já foi há muito devorada pela Antropofagia. Numa tentativa desesperada de uma classificação, no máximo imagino uma categorização pela técnica empregada.

O único que temos em comum é o gosto pela homoeroticidade, ou, para ser exato, pelo erótico masculino, uma vez que temos mulheres nestes grupos, e elas acontecem de ser heterossexuais. Em outras palavras, nós gostamos da imagem do homem e da expressão da sensualidade e sexualidade do homem. Mesmo as mulheres, quando vão retratar esta expressão erótica masculina, o fazem de um homem para outro homem, o que as coloca em pé de igualdade, em relação ao homoerótico”.

As ilustrações desta matéria são de autoria de Osmar Resende

Para ver mais: http://www.beagay.com/homografia/exposicao.htm

P.S – Obrigado ao Osmar e amigos do Beagay pelo excelente artigo