Confraternização no GGB: Mais um ano de Luta!

Foi uma noite de muitas emoções. A confraternização de final de ano do GGB é sempre uma grande reunião entre amigos. Aquela gente do Grupo Gay se vê durante todo o ano. São ligados aos eventos cotidianos e muitos são membros dos sub grupos da entidade à exemplo dos homossexuais negros do Quibanda Du Du, do Projeto Somos, Atrás – de defesa travestis e do Projeto Se Ligue.

Muitos dos convidados – estrangeiros e quem não é do meio – não entendeu como eles ficavam tão à vontade uns com os outros. Como brincavam, se tocavam e se alegravam em conjunto. Creio que o sabor da amizade e a consciência do bem se encarnaram sob o espírito de natal do GGB. O ativismo com o seu poder de transformação é algo que faz crescer o indivíduo como ser humano. Interage com o afeto também.

A surpresa do início da festa do GGB foi o estand montado na sede daquela militância pelo Sex Shop NuCorpo. Eram tantas as opções de “jogos e de brincadeiras de prazer” que eu mesmo confesso – nunca vi tanta variedade – tanto em objetos emborrachados, fantasias e quanto da química pra dar tesão e aumentar a potência. Quem ia entrando logo se deparava com a propaganda do pompoarismo na entrada do casarão. Nem tempo pra pensar o que seria esta coisa de praticar “sexo com arte” as pessoas tiveram. De imediato iam se inteirando da linha sado e dos acessórios sexuais. Achei inusitado e educativo por parte da agremiação, em disponibilizar aos gays, o contato e o conhecimento deste mercado de prazer sexual com os seus respectivos objetos curiosos.

Logo em seguida e no mesmo espaço do Sex Shop aconteceu o lançamento do Livro de Poesias do Valdeck de Jesus “A Brazilian Gay Man Coming Out from the Closet”. A bem da verdade, primeiro a publicação foi lançada nos Estados Unidos. O tema principal trata do “Sair do Closet” sem culpas ou seja, uma coletânea de excelente nível que consagra a palavra como a melhor arma: “expressar sentimentos do amor entre iguais – quando um homem que está preso e acorrentado ao medo de amar – se solta, cria coragem e se aceita como homossexual”. O livro estava sendo autografado pelo poeta de Jequié quando soubemos em primeira mão, que a versão em português vai sair em julho de 2005. Então o que significa dizer, vem mais poesia por aí. Portanto no ano que vem tem mais. Registro a presença de Fernando Bingre o nosso queridinho Salvador/Londres que defende a causa libertária GLS e brilha em terras de sua magestade. Encantado com a poesia de Valdeck ele foi ao GGB prestigiar esta oportunidade editorial.

O legal foi ouvir Valdeck e convidados declamarem as tais poesias. Uma delas em especial e cuja dedicatória poderia ser para qualquer um de nós, diz: “Quem nunca teve um alguém que se foi?” O mal de amor é fatal e não há imunes. A noite de autógrafos e de mostras do sex shop foi completa. Mas faltava a festa.

Falando de comes e bebes. A sangria correu solta. Esta bebida à base de vinho e de frutas tropicais não chegou pra quem quis. Depois vieram os licores e os refrigerantes. Salgadinhos, bolos e doces variados. Os rapazes do “Se Ligue” arrebentaram. Nunca vi garotos requebrando tão bem o pagodão do É o tchan e eles sabiam tudo da Ivete Sangalo.

O quintal do GGB ficou pequeno e o palco armado se tornou uma tentação. Todas as “diabinhas” queriam dar seu “close” no mesmo. Haja fôlego dos coordenadores Oséias, Cristiano, Cláudio e Otávio para conter os excessos.

Este ano não tivemos as presenças do membro fundador Luiz Mott e do presidente Marcelo Cerqueira – ambos impedidos por compromissos inadiáveis, não apareceram. O Mott em Brasília, em reunião na esplanada dos Ministérios e o Marcelo Cerqueira numa rádio local, defendendo os Gays do estribilho maldito “bicha, bicha, bicha – passa a mão nela que este cavalo é égua” a mais nova faixa homofóbica da axé music. Pérola do baixo nível que volta e meia, não deixa em paz os homossexuais.

O bom das festas do GGB é que – como a messe é grande também variado é o rebanho – com todas as tribos presentes. Uma salada social de louvor à qualquer grito dos excluídos. Desde algumas mendigas bibas, loucas e malditas na sua irreverência até constritos intelectuais e vejam, pululando neste universo, gays bem nascidos e muitos tipos fashions. Primeiro, parece que nunca a cultura GLS sepultará as tão antigas “bate-queixadas” nas dublagens das Divas hit pop. As monas adoram dublar. Sentem um prazer e uma felicidade que até contagia.

Naquele quintal do Pelourinho onde reina a diversidade – a gritaria e a algazarra foram constantes. O silencio não vingou e mesmo assim se revezavam as estrelas. Uma delas de nome esquisito “K’Balla D’Full” trocou quatro vestidos e me disse “estar nervosa por ser a sua estréia”. Tinha até torcida organizada. E deu o seu recado. Até o filho do Prego – um guri endiabrado do quintal vizinho – achou de jogar areia na pobre coitada.

Aí veio mais transformistas e travestis até chegar a “Biba que Salta”, Fabiane Galvão, uma trans miudinha, mas que quando quer, dá saltos mortais e únicos. Que fazem justiça à fama que tem.

E mais e mais shows…até que no final ouvimos as palavras do militante Oséias, fundador do Grupo Quibanda Du Du e que ficou em nossos corações: “ o GGB é o nosso território e a melhor conquista de todos nós. A liberdade e a consciência do prazer de ser Gay ou Lésbica é o ganho maior em nossas vidas. O Grupo Gay da Bahia encerra o ano com vitórias e precisamos cada vez mais da participação de todos. Mais idéias e projetos estão à caminho, 2005 será nosso, abaixo a homofobia e viva a diversidade.”

Confira mais fotos: