Os Gays na Caminhada da Paz

A bandeira do Rainbow é ostentada pela Paz.

Assim que a cantora feirense e madrinha da Parada Gay 2004, Márcia Porto, entoou o última nota do hino à Paz, todos os olhares se voltaram ao cantor Geraldo Azevedo, que sempre solidário e fraterno à eventos desta natureza, declarou aberta a 13ª. Caminhada pela não violência.

“Eu pensei em mim, eu pensei em ti eu pensei em nós. Que contradição. Só a guerra faz o nosso amor em Paz” assim fala Gil, quando buscamos a Paz nas relações, em que o amor deveria ser a tônica de tudo.

Porque a violência é um cancer que contamina a todos. Ninguém está isento de ser sua vítima. Ela, como um mal à vezes dificil de ser combatido, nasce muitas vezes no seio da familia. Cultivar a Paz é mais que tudo, um aprendizado diário. Tentar respeitar os nossos semelhantes e praticar a tolerância e agir, acima de tudo, com justiça, sempre serão os melhores ingredientes na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Feira de Santana, neste domingo [27/3] reuniu mais de trinta mil pessoas em suas largas avenidas para dizer um enorme NÃO a violência. Assim, instituições seculares e das mais importantes da Princesa do Sertão , como a Igreja Católica, através das suas diversas pastorais, a edilidade, o corpo de bombeiros e o comércio local se deram as mãos nesta caminhada que tem sido um modelo para outros estados da federação. Especialmente pelo nível de organização, de participação popular e de apoio logístico.

O Glich – Grupo Liberdade e Cidadania Homossexual, que tem três anos de fundado, participou desta Caminhada pela Paz levando a sua coloridíssima bandeira, pálio sob o qual abrigou, as centenas de gays e lésbicas que durante toda a andança cantavam eufóricos o hino à Paz. E não foi pra menos. A grande flâmula do Rainbow, ostentada ao ar e que vem a ser um símbolo internacional que representa todas cores e matizes da diversidade, não passou despercebida. Foram aplausos e muitos curiosos, não sei nem explicar o porque da identificação, a queriam tocar e cumprimentavam emocionadamente os militantes que a seguravam durante o cortejo.

Na avaliação dos organizadores, sobre a participação gay neste evento de temática cidadã, o resultado é que, depois da Parada do Orgulho Gay, esta é sem dúvida, a mais expressiva oportunidade de visibilidade GLBTS em Feira. Feira de Santana. Não tem sido muito fácil ser gay em Feira, pois nos últimos meses de 2004, houve um número elevado de crimes contra homossexuais. E bem recentemente, uma criança foi proibida de se matricular em uma escola da rede privada, por ser portador do virús HIV. E mais denúncias chegam ao GLICH em razão da homofobia que teima em existir e fazer, dos gays e das lésbicas feirenses, as suas vítimas preferenciais. Em conjunto com a APROFs, associação de profissionais do sexo,os gays e lésbicas da cidade, deram o seu recado: A Paz, queremos a Paz. Discriminação e Violência nunca mais.

Confira todas fotos feitas pelos meninos do Glich: