Varal da cidadania no centro da cidade

Em comemoração ao Dia Internacional dos Direitos Humanos {Aniversário da Declaração] foi montado na Praça da Piedade, centro da cidade, um “ Varal da Cidadania ”. Onde diversas entidades que trabalham a questão, aproveitaram o espaço público para dependurarem seus cartazes com as mensagens alusivas a data.

Muitos transeuntes paravam ao longo das grades dos jardins da Piedade para ver e ler o que estava escrito. A idéia foi inteligente, a própria leitura estética do gradil do artista Caribé, dá a impressão de facilitar a exposição das coloridas peças. Muitas entidades que fazem parte do Fórum de Entidades de Direitos Humanos da Bahia estavam presentes na Praça da Piedade conclamando a população a participar e a entender que ela tem o poder da transformação. Dar um “não” e fechar as portas ao preconceito e ser contra a violência é uma mensagem que tem que chegar a todos. Sofre mais quem mais necessita “a corda sempre quebra do lado do mais fraco”. Não há outro caminho para a obtenção dos direitos fundamentais senão a união entre as pessoas. A grande sacada é unir forças.

A comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa da Bahia se fez presente com a montagem de uma banca que disponibilizou a quem quis, panfletos alusivos à data e cartilhas informativas. E o tom de incentivo do deputado Yulo Oiticica – presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa veio no bojo “Parabenizo às entidades promotoras deste evento comemorativo ao dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos (10 de Dezembro de 1948) e aproveito a oportunidade para convidar os companheiros e companheiras a contribuírem com Comissão de Direitos Humanos, pois se encontra sempre aberta a sugestões e colaborações de todos que queiram participar de maneira direta ou indireta na construção de mecanismos eficientes na luta por uma sociedade mais humana e igual”

Um grupo de jovens – creio que todos ligados às entidades presentes – deram um show de descontração e de alegria. Muito criativos, improvisaram um som e entre uma batida e outra, slogans de valorização e auto estima eram repetidos.

O grupo Gay da Bahia colocou vários e divertidos cartazes no Varal da Cidadania , o Quibanda Du Du – de militância Gay Negra – na pessoa do combativo Oséias estava lá e disse: “…além de marginalizados como negros, pobres, somos também homossexuais, o que aumenta a discriminação e o preconceito”. Assim como os rapazes do CECSOS – Centro de Cidadania e Solidariedade as Orientações Sexuais que posaram pra gente orgulhosos com a sua bandeira do Rainbow. Tinha gente com a camisa do FOBONG – Fórum Baiano de Ongs/AIDS que trabalha e batalha contra as DSTs/AIDS também participando. As meninas do Palavra de Mulher , O Gapa – Grupo de Apoio e Prevenção a AIDS que levou um carro-teatro que seria o palco da apresentação teatral e mais os Promotores Legais Populares – PLP e diversas outras entidades.

O aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos que os baianos estão comemorando é um sinal de que há esperança sim. A de que juntos possamos mudar valores cruéis. Não é justo que deixemos as gerações futuras um legado de violência e de preconceitos que massacram e fazem sofrer os nossos irmãos tidos como “diferentes” ou desprovidos da sorte. Temos um compromisso moral e ético com quem está à margem da sociedade. Devemos lutar para que os irmãos excluídos tenham o mínimo de respeito à sua cidadania. É chegada uma nova era, esconder os miseráveis debaixo do tapete não é o exemplo que este grande país tem para oferecer. Pedir a palavra para que os “sem voz” possam falar é uma obrigação de todos nós.

Para entender melhor o se passa e ao se falar em Direitos Humanos vamos refletir um pouco nas palavras do Deputado Nelson Pelegrino sobre o tema: “Vivemos numa sociedade impregnada pela cultura da violência, do preconceito e da exploração. A miséria e o número de excluídos aumentam a cada dia. Uns preferem retribuir a violência com mais violência ou se trancam com medo em suas casas sem saber o que esperar do dia de amanhã. Outros preferem a luta incansável dos Direitos Humanos e se juntam para que a luta fique mais forte e possa construir uma sociedade realmente justa, fraterna e igualitária”.

Que este dia de reflexão sobre os Direitos Humanos não seja uma mera especulação de momento, mas que se torne uma busca cotidiana por todos nós. Para fazermos da nossa cidade, do nosso país e da nossa própria consciência o habitat da liberdade e do respeito ao indivíduo, seja ele quem for.

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