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Deu a Elza, mas que Elza?
2004, Cult

Deu a Elza, mas que Elza?

A biba é Elza…a mona deu Elza ou cuidado, a Elza vem aí. Nossa, quantas expressões para qualificar um gay meliante ou quando se avizinha furto ou roubo de alguma coisa. Esse vocabulário do gueto tem a sua graça, como um idioma alienígena que merece tradução. Mas que diabo é Elza? Alguém sabe?. Mesmo com o pé quebrado [cai do trio na Parada Gay de Feira] dei uma de Saci Pererê e fui a casa de Farah Dhiba. Um septuagenário, ex-miss Pérsia e místico vizinho, aqui do Beco do Curriachico [existe mesmo e está encravado na lateral da Praça Castro Alves em Salvador] e lá obtive a resposta: “Marccelus, a pobre da Elza sofreu com isso e de quebra, olha aí a etimológica herança”. Os Gays não esquecem mesmo.O sábio mestre da astro,quiro e taro foi categórico. Vem dos infortúnios da nossa amada...
Museu da Sensualidade na Bahia
2004, Arte

Museu da Sensualidade na Bahia

Essa nossa gente é muito erótica. Não é de agora que até ladeira na Bahia cresce glúteos. Ah então é por isso que baiano tem bundão?. Se é verdade não sei, mas o imaginário pulsa . A Lascívia sobrevive à moral castradora. O remelexo dos homens daqui já virou moda. Ensaio de bloco afro em Salvador ou agito de praia em Porto Seguro é onde o pessoal de fora vê “o que o baiano tem”. Na praia então, nem se fala, transparências, calças de capoeira com tudo balançando, cofrinhos e pentelhos aparecendo é o que mais tem. E se partir pra sacanagem então, aí vocês vão ter um tripé da melhor qualidade: humor, sexo e sensualidade. E quando essa sacanagem vira arte? Quando tem lirismo? Quando é objeto de culto ou delírio? Digo aquela arte erótica sofisticada do tipo expostas em Galerias e Museus? Não se...
O Dia da Pátria na Bahia: Uma mistura que faz bem!
2004, Eventos

O Dia da Pátria na Bahia: Uma mistura que faz bem!

O sol tinindo em Salvador. Gente saída de tudo quanto é canto. Nem perdi meu tempo vendo o desfile militar porque quase sempre é a mesma coisa e em toda cidade tem. E depois pra alguns Gays e na base do fetiche, ver militar desfilando só da cintura pra baixo ou do pescoço pra cima. A ditadura, aquela bruxa que levou décadas dominando e massacrando com seu coturno de autoritarismo os diferentes, esta já se foi. Ela sim, que no 31 de março punha o seu arsenal nas ruas pra intimidar o povo comemorando uma revolução que nunca aconteceu. É golpe mona…fuja! Esqueça esta página triste da nossa história. Bahia que não me sai do pensamento Mas deixa pra lá que o babado é outro. A Bahia é berço. Embala eu mamãe….que terra idílica é Salvador. O nome já diz tudo. Salva-te da dor = Salvador ahah...
Teatro do Protesto Gay em 1984
2004, Ativismo

Teatro do Protesto Gay em 1984

Estávamos em 1984. Apenas há poucos anos da existência do GGB e influenciados pelas apresentações de rua do tipo teatro de cordel – então super populares nas praças em Salvador e por ter próximo à nós o exemplo virulento do movimento dos Poetas na Praça, com os seus recitais e as suas declamações públicas anti autoritarismo, nós homossexuais decidimos nos movimentar também. Aqueles anos representava o início de uma abertura política era o limbo da devolução do poder militar aos civis, expectativas promissoras em que todos se viam na obrigação de cobrar e exigir cada vez mais os seus direitos de expressão. Como gente Gay e Lésbica, um povo dos mais segregados e estigmatizados do país, resolvemos marcar aquele momento fazendo também o nosso protesto particular, contra os agentes mais...
As Mareatas Gays
2004, Ativismo

As Mareatas Gays

“A água me contou muitos segredos, refez os meus desenhos, trouxe e levou os meus medos…a vida que me é dada eu e água” diz por mim Caetano e testemunha para a história do movimento gay o mar da Baía de todos os Santos. Gays e Flores ao Mar - Mareata do GGB em 1986 Eram modestas mas emocionantes. Pouca gente no início. Logo nos primeiros anos da década de oitenta quatro gatos pingados. Algum tempo depois um pouco mais de gays e de organização. Assim nasceram as mareatas do Grupo Gay da Bahia. Surgiu da cabeça do Luiz Mott. Queríamos mostrar a face da história não contada. Tinha a coisa do vetusto Forte de São Marcelo desafiando o nosso olhar para a grande obra do Governador Gay Diogo Botelho (1618), praticante do “amor que não ousa dizer o nome” e denunciado peloTribunal do Santo Of...
Meio século sem Frida Kahlo
2004, Cult

Meio século sem Frida Kahlo

Um rosário de lindas e inteligentes mulheres passou pela cama e marcou presença no coração da genial Frida Kahlo. E como se não bastasse a sua força de viver diante dos infortúnios da paralisia, que a fez diminuta em uma das pernas e a de sobreviver ao quase fatal acidente de bonde que dilacerou sua coluna. Ela deixa acima de tudo, um legado que não tem preço: a sua desenvoltura diante do amor, do sexo e do prazer. Tanto o seu envolvimento com mulheres quanto com homens era sem culpa. Comemoramos nesta semana meio século sem Frida. O México, seu país natal festeja. Nós que aprendemos a amar a genuína arte. Aquela que não brota do apego deslavado ao dinheiro, que não se submete ao poder ou que é fruto da fama. Temos nessa Deusa Azteca não a somente uma autodidata do surrealismo, el...
O assassinato da Ladeira de Santa Tereza – Crime Gay
2004, Cult

O assassinato da Ladeira de Santa Tereza – Crime Gay

Crime “gay do pacote” em Santa Tereza! Esta é a Ladeira de Santa Tereza Crime prescrito. Não houve solução e o esquartejado da Ladeira de Santa Tereza quase acaba virando uma lenda, gay e urbana. Um espectro que vaga e não descansa em paz. O seu algoz? Seguramente à solta até hoje. Estávamos nos anos 70 e em 08 de Agosto de 1972, no alto da Ladeira de Santa Tereza, embrulhado em um saco plástico brilhante um corpo decepado foi encontrado. No curso das investigações a perícia supos tratar-se de um homossexual, dada as “evidentes cicatrizes e fissuras anais”. Fora declarada a guerra aos “entendidos” de então. Aberta a temporada de caça aos afeminados. Nunca a Ladeira de Santa Tereza figurou tanto na mídia. Este logradouro que já fora subúrbio da cidade no primeiro censo português de 1...
Los Mexicanitos: Charles Albert e André
2004, Cult

Los Mexicanitos: Charles Albert e André

Carmem Miranda acabara de falecer. Naquela noite o triste e consternado André, no palco da Boate Pituba desafinou. A notícia fora trágica demais. Infelizmente 1955 não tinha sido um dos melhores anos para “Los Mexicanitos”. Casa cheia e a melhor das publicidades no Diário de Notícias do dia 04 de fevereiro, até mesmo clichê com foto do André “o maior fenômeno vocal – o único travesti soprano em todo o mundo”. Não se admirem: A velha Bahia mostrava-se então infiel ao peculiar. Principalmente em tempos de escândalos notórios da Luz Del Fuego. Que mal chegara a Salvador e já fora de imediato advertida pela polícia “nada de ficar pelada dona Luz” e tendo a sua jibóia raptada não pode dançar a insinuada coreografia, um ballet esquisito ao lado do feminino André. Só podia ser praga da ri...