Um rosário de lindas e inteligentes mulheres passou pela cama e marcou presença no coração da genial Frida Kahlo. E como se não bastasse a sua força de viver diante dos infortúnios da paralisia, que a fez diminuta em uma das pernas e a de sobreviver ao quase fatal acidente de bonde que dilacerou sua coluna. Ela deixa acima de tudo, um legado que não tem preço: a sua desenvoltura diante do amor, do sexo e do prazer. Tanto o seu envolvimento com mulheres quanto com homens era sem culpa.

Comemoramos nesta semana meio século sem Frida. O México, seu país natal festeja. Nós que aprendemos a amar a genuína arte. Aquela que não brota do apego deslavado ao dinheiro, que não se submete ao poder ou que é fruto da fama. Temos nessa Deusa Azteca não a somente uma autodidata do surrealismo, elogiada por André Breton como dona dos desenhos e das cores submersos no sofrimento e no êxtase.

Mas também a Frida mulher, bissexual que soube manter o casamento aberto com o muralista Diego Rivera e que no todo, sempre dada ao prazer, não lhe escapou ao coração a estonteante atriz Dolores Del Rio. Como tantas outras do seu itinerário de conquistas tais as divas do cine mexicano Maria Félix e Pulette Godard.

A atrofia física não lhe ofuscava o espírito. Era uma sedutora nata. Mulher bonita à sua época, tanto por homens quanto por mulheres era cobiçada. Morreu jovem, aos 47 anos, deixou um legado maior que a sua reconhecida e concorrida obra, para mim a sua personalidade avassaladora. Tênue a sua saúde, mas impulsiva a sua coragem e o seu apego à vida. Quem de nós passaria tanta dor, de onde arrancaríamos a força para estar rotineiramente cortados e submetidos a dolorosas cirurgias? Você já se imaginou por longos períodos preso à cama e amarrado a próteses improvisadas de couro e ferro? Tudo e muito mais passou Frida.

O seu martírio pessoal pode ser visto em quase toda a sua produção artística, seus temas caminham do céu ao inferno estão embasados no binômio dor e prazer. Todos os seus momentos, bons e maus seriam imortalizados em quadros.

A mais bela das imagens de Frida Kahlo é sem dúvida quando a mesma se apresenta ao mundo vestida em trajes típicos do México. Ela sempre teve orgulho das suas raízes. Se mostra adornada como a moça simples de um povoado distante. Tal uma daquelas inocentes rancheiras em dias de mariachis.

Esta é a Frida Kahlo da heróica resistência do corpo, a mexicana da alma inquieta que soube conduzir tão bem uma paixão. De uma curta mas intensa existência. Assim foi e continua sendo Frida Kahlo.