Sábados Jovens

Projeto do GLICH, salva vidas na Princesa do Sertão

Hoje é sábado e tem um Projeto legal: A galera no GLICH

por Marccelus Bragg e Rafael Carvalho

coordenador do Projeto e presidente do GLICH

Estar no GLICH nas noites de sábado. De quinze em quinze dias – e quase sem faltar a uma reunião – virou mais uma opção, para dezenas de jovens homossexuais de Feira de Santana. Querem saber o motivo? A razão que os atraem a sede do Grupo Liberdade e Cidadania Homossexual? Claro, vamos revelar agora. É que acontece naquele local algo muito bacana. São reuniões temáticas sobre cidadania e DSTS/AIDS voltadas para uma gente de pouca idade.

Estes encontros são atividades, do todo de um Projeto que o GLICH mantém em parceria com duas instituições super importantes e renomadas, a Coordenação Estadual de DST/AIDS e a PTHIFINDER do BRASIL. O Projeto chama-se “Gays Adolescentes e outros HSH em Condições de Riscos e Vulnerabilidade ”. Sabemos que o título não é tão pequenininho, bobagem, porque maior ainda, é o sentimento de solidariedade e de respeito que o banca. De todos os lados, esta iniciativa é cercada de muito profissionalismo, responsabilidade, afeto e de carinho.

Nós do GLICH olhamos para esta parcela de população, que está começando toda uma futura vida sexual, de garotos e de garotas homossexuais – com os olhos de guardiões, somos nós que nos esforçamos muito, para obter mais e mais informações e bons exemplos de preservação da vida, para poder transmitir-lhes numa boa. E alertá-los que não vale à pena correr riscos. Que toda a “irresponsabilidade” na hora do ato sexual inseguro, tem um preço e que não devemos por em perigo as nossa vidas e a vida de que amamos. E temos como próposito, nestes sábados à noite, em que estamos reunidos com os jóvens cidadãos feirenses, que é de discutir as várias formas de vulnerabilidade e os métodos que os jovens usam para se defender das tais DSTs/AIDS. Além é claro, do estímulo à cultura e à promoção de práticas sexuais mais seguras.

Durante as discussões fica evidente que, o mais aflitivo para os jovens homossexuais e outros HSH (Homens que fazem sexo com homens) é a questão da violência. Meu Deus, como é triste se registrar que a cultura do mal, que as ramificações da homofobia nos seus tratos diários do tipo “Boa Noite Cinderela”, “extorsões e chantagens”, “humilhações públicas”, “violência doméstica” cresce tanto num meio tão jóvem. E tem mais. Nestas reuniões no GLICH, quem vem de fora solta o verbo e fala. Abre o coração para nos dizer do medo da infecção pelo o HIV e os seus reagentes. Há o temor pela discriminação dentro da própria casa, seguido claro, da segregação social. Nós coordenadores do GLICH ouvimos depoimentos emocionados. Estes “líbelos de infelicidade” são ilustrados de forma clara e são páginas didáticas de como muitos homossexuais ainda enfrenta tais problemas. E de como tudo isto tem uma repercussão direta nos comportamentos e na auto-estima de cada um.

Nas reuniões do GLICH, muitos são os métodos usados para socialização destes jovens. Eles chegam na sua maioria de bairros pobres e de visível realidade marginal. E são crias de um mundo à parte, repleto de analfabetismo, de miséria social e de violência urbana como pano de fundo. Junto ao GLICH eles tem momentos de satisfação, trocam experiências, sorriem, tocam violão, cantam, dançam, recitam poesias, passam à agenda cultural do fim de semana. E para fazê-los “pensar e se posicionar” ouvem uma musica e em seguida, refletem sobre as letras, debatem e saem um pouco mais senhores das próprias decisões. Os queremos fortes e mais seguros.

Quanto a interagir com a nossa entidade, eles ficam por dentro das atividades do grupo, dividem idéias e discutem sobre prevenção a Aids, e sobre o respeito e a solidariedade às pessoas que vivem com HIV/Aids. No úlltimo bloco da reunião, os membros debatem um assunto escolhido na reunião anterior, vários assuntos já foram apresentados e discutidos por todos os presentes tipo: Medo e Tabu, Violência, Pânico da Aids, Preconceito social, Homofobia, Solidão e etc.

Para o Coordenador e os monitores do projeto, esta ação é a mais importante enquanto atividade de classe para os jovens homossexuais, pois, o trabalho em grupo unifica em uma linguagem plural, a realidade individual dos jovens gays, das lésbicas e dos Transgêneros presentes.

No final da reunião é apresentada uma dinâmica de auto-estima. E como é comum em congraçamentos discursivos, os jovens participam de um coffee break e recebem preservativos e materiais informativos sobre praticas sexuais mais seguras, e havendo disponibilidade, alguns brindes como souveniers da reunião.

Uma das situações mais gratificantes deste Projeto “Gays Adolescentes e outros HSH em Condições de Riscos e Vulnerabilidade ” é que os nosso jóvens relatam que as reuniões do grupo estão modificando as suas vidas. Muitos comentam que se sentem mais seguros com relação à prevenção da Aids e mais prevenidos diante violência. Afirmam que à partir da convivência dos sábados à noite no GLICH, estão mais preparados para a realidade homossexual.

Falam que estão mais compreensivos diante das diferenças até mesmo nos relacionamentos intra-familiares. A auto aceitação, tem sido uma realidade entre os membros que participam das reuniões, segundo eles mesmos, em seus emocionados depoimentos.

O grande indicador positivo deste processo é a realidade de que muitos destes jovens, abdicam dos seus sábados de lazer, para estarem discutindo na sede do Grupo. Então, não são palavras ao vento, mas palavras que ajudam e que integram os nossos conterrâneos feirenses ao melhor da cidadania. Para nós este é o maior sucesso deste projeto.

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