Viva a Nação Guaporé nasce o Grupo Gay de Rondônia
Seja bem-vindo! Esta é seguramente uma frase que poderá transmitir o sentimento de orgulho que temos por esta importante iniciativa dos homossexuais de Rondônia. Nasce em Porto Velho, capital daquele novíssimo estado – criado em 1981, a mais nova organização de defesa dos direitos dos GLSBTTs do Brasil, o Grupo Gay de Rondônia – GGR. A militância na região norte do país tem crescido nos últimos anos. Em números, haja visto as estatisticas provenientes da participação popular nos eventos das Paradas Gays e em organização, quando surgem mais entidades que interagem também junto ao poder público na luta por direitos e fomentando campanhas por uma maior visibilidade.

O respeito a diversidade é a tônica dos nossos “destemidos pioneiros daquelas paragens do poente”. Portanto, que venha o Grupo Gay de Rondônia a nos dizer: “Aqui neste longícuo Brasil tem gente que diz não a homofobia e se prepara para a dura batalha, a de mostrar à luz da ciência e dos direitos humanos, que ser homossexual é natural, normal e legal”. Porque todos nós sabemos que ser gay não é fácil. É matar um leão todos os dias para sermos respeitados e considerados cidadãos plenos. E para muitos, esta luta não tem fim, mártires gays tombam todos os dias vitmas do preconceito e da impunidade e o pior, alguns pagam com a própria vida o preço de serem, tão somente, diferentes. Daí que desejamos, força, muita força a nação gay guaporé desta fronteira de Brasil. E mais uma vez, bravo Rondônia por tão positiva atitude de consciência política.

Para conhecermos um pouco mais do Grupo Gay de Rondônia conversamos agora com o Hélio Costa, presidente daquela entidade;

Como surgiu a idéia da criação do Grupo Gay de Rondônia?
Rondônia, sendo um dos mais novos Estados do Brasil, que está em acelerado desenvolvimento e com uma enorme quantidade de migrantes de diversas regiões do país, dentre estes, muitos com orientação homossexual e, vendo que esta comunidade estava dispersa, sem uma referência e visibilidade diante das decisões políticas do Estado, foi que surgiu a idéia de criarmos um grupo que agregasse nossa comunidade, prestando serviços políticos, sociais e culturais a todos. Assim, surgiu o GGR.

Qual o perfil da comunidade gay e lésbica de Porto Velho? A presença de travestis é significativa?
Visto a realização das duas últimas paradas gays que aconteceram aqui, deu para observar que o perfil da comunidade gay e lésbica de nossa Capital é igual aos de outros centros do país, sendo a predominância maior de gays. Quanto aos travestis há um número significante, embora a maioria tenha ido embora para a Europa, os que estão na cidade, muitos estão em transição, ou seja, fica um período por aqui e depois retorna ao seu Estado, geralmente são do Acre, Amazonas, Mato Grosso e Goiânia.

Quais os lugares de maior concentração de GLSBT em sua cidade?
Como não temos boites, saunas e bares exclusivamente gays, toda a comunidade glsbt freqüenta todos os lugares de diversão da cidade. Alguns freqüentam aos domingos a danceteria “Dimples” para uma caçada básica.
Há casos constatados de violência – assassinatos e de homofobia (aversão e ódio anti-gay) em seu Estado ?
No ano de 2003, conforme minhas consultas e informações de terceiros, Rondônia foi o Estado onde houve mais assassinatos de gays. Uma média de 13 homossexuais foram assassinatos naquele ano. Agressões homofóbicas também são constantes, embora não tenhamos como computá-las, já que em muitos casos os agredidos não procuram as delegacias policiais para prestarem queixas. Esta situação também é um dos motivos da criação do GGR.

O GGR já tem uma estrutura física de funcionamento (sede, equipamento, etc)?
Não, estamos começando do zero, usando nossos próprios recursos para fazer funcionar a nossa entidade. Quando a mesma estiver juridicamente legal, vamos correr atrás de apoio. Estamos aceitando doações para estruturar nosso grupo.
Há uma vinculação ou identificação de princípios do GGR para com partidos políticos?
O GGR não tem nenhuma vinculação política com nenhum partido político, mas, alguns integrantes do grupo são filiados ou simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT).

Quais os planos futuros do GGR?
Conscientizar a comunidade gay de seus direitos e esclarecer que ficar dentro do armário contribui ainda mais para aumentar o preconceito contra todos nós; desenvolver o Projeto “Todo gay é inteligente”, que através de parcerias com as Secretarias de Educação do Estado e do Município irá oportunizar os glbt’s que estão sem estudar, por algum motivo, a concluir seus estudos; procurar junto a Secretaria de Segurança Pública do Estado vê a situação em que se encontra o gay presidiário, como também solicitar informações do Juizado da Infância e Adolescência sobre as condições em que estão sendo tratados os adolescentes gays, que estão na Casa do Menor. Cobrar das autoridades competentes segurança para a comunidade gay; exigir uma vaga junto ao Conselho de Direitos Humanos da Secretaria de Segurança Pública do Estado, além de outras ações que se façam necessárias, principalmente, referente à prevenção das DST/AIDS e de leis estaduais e municipais que beneficiem o povo glbt e procurar criar núcleos em todos os municípios do Estado.
É bom ser Gay ou Lésbica em Rondônia?
Sim, embora estejamos longe dos grandes centros, dos grandes eventos é interessante ser gay nestas plagas amazônicas, afinal, estou aqui há 22 anos e não pretendo ir embora tão cedo.

Qual a mensagem que o presidente do GGR deixa aos internautas do Marccelus Portal?
Marccelus Portal é um site antenado e voltado ao povo glbt, sendo uma referência imprescindível para nossa comunidade, faço questão de visitar-lo todos os dias e recomendo que o ponham em seus favoritos.
Contato com o Grupo Gay de Rondônia
Hélio Costa – Caixa Postal nº 1698 – CEP. 78900-970 – Porto Velho / Rondônia. Emails: ggayron@yahoo.com.br ou piriporto@hotmail.com – Fones: (69) 225.2275 ou 9984.0559

