Convocados à estarem na capital, lideranças homossexuais das mais representantivas cidades do estado atenderam ao convite do GGB – Grupo Gay da Bahia, que em sua sede no Pelourinho referendou a criação de uma liga que promete ser bem extraordinária: O Fórum de Grupos Homossexuais da Bahia – FGHB.

Nasce a nova entidade sob o signo da dor e da decepção encarnadas nas últimas derrotas do movimento homossexual brasileiro. Quando a Assembléia Legislativa da Bahia desdenha de todos ao negar cidadania baiana ao militante homossexual Luiz Mott ou também, quando nenhum dos gays ou das lésbicas engajados na militância conseguem se eleger. O contexto pós – eleitoral não poderia ser o mais propício. É notado o avanço dos fundamentalistas com o seu exército de paus mandados que fez crescer assustadoramente a representação dos maiores inimigos que temos: os evangélicos. Aquartelam-se em nossas casas legislativas e como nossos desafetos representam a mais devastadora das ameaças. O que possivelmente visará – num futuro próximo – o calar da voz e o sufocar da grita por direitos pelos homossexuais. Tirando dos gays os poucos avanços já conquistados, chafurdando-os na segregação. Tomem como alerta os projetos de deputados pastores que visam “curar” em centros de recuperação os homossexuais. Então muito preventivamente e como se fosse uma premonição dessas ações nefastas, o GGB dá um pontapé inicial. Conclama todos ao exercício da união em torno do combate ao obscurantismo político, que explícito no recado das urnas, com certeza vem por aí.

Uma das hipóteses aventadas nesta primeira reunião de fundação do FGHB e tomada como mero exemplo da importância de se vitaminar a militância gay baiana é que teremos – se confirmarem-se as pesquisas e a tendência do eleitorado da soterópolis – um prefeito crente com uma base de sustentação reacionária e anti-gay na Câmera de vereadores. Que não farão surpresas ao vetarem qualquer apoio logístico da Prefeitura a Parada Gay ou se virem a dificultar o uso de equipamentos públicos pelos homossexuais ou até o pior, direcionarem o alvo da maquiavélica perseguição à espaços de encontros homo como saunas, bares GLS e etc. Sem falar que no caso de Salvador, o tão sonhado “Centro de Referência Homossexual” uma idéia do candidato gay derrotado Marcelo Cerqueira, estará fadada a não passar nunca da mera utopia.

O quanto antes do Armagedon, os heróis da resistência homossexual da Bahia, articulam congregar nesta nova entidade, todas as ONGs que atuam na área da defesa dos direitos humanos e da cidadania dos gays, lésbicas, travestis, transexuais e transformistas. Como possuidor de bom senso e sendo politicamente correto, o FGHB nasce abrigando toda e qualquer entidade que dele queira participar sem distinção religiosa, ideológica, racial, de gênero, orientação sexual ou partidárias, a única condição exigida é que atuem no âmbito dos direitos humanos.

Os temas estão postos. O regimento interno foi aprovado no evento de agora e assinado por diversas entidades. A unanimidade entre os signatários do fórum foi a mesma: “Precisamos nos fortalecer e criar estratégias de luta para os tempos bicudos que se avizinham”. Daí alguns dos objetivos essenciais desta reunião de cúpula dos líderes gays da Bahia é articular, incentivar, o intercâmbio, a parceria e o chamado fortalecimento das ONGS gays, lésbicas, travestis, transexuais e transformistas. O típico do “unidos venceremos” do velho jargão marxista. Registramos a presença das organizações gays das cidades de Salvador – Associação de Transgêneros da Bahia – Atras, Grupo Gay da Periferia, Grupo Gay da Bahia e Quimbanda Dudu, lhéus – Grupo Eros, Simões Filho – GGFS, Itabuna – Grupo Humanus, Feira de Santana – Grupo Liberdade, Integração e Cidadania Homossexual/ GLICH e Camaçari- GGCA. Impossibilitados de estarem presentes outras tantas entidades já se manifestaram a favor do Fórum e nos próximos dias estarão formalizando a adesão junto à esta iniciativa do GGB tal o Grupo Gay da cidade de Garcia D’ávila, o Acropole de Vitória da Conquista e os Licória Leonis e Esperança da Princesa do Sertão – Feira de Santana.

Cobrando e exigindo do poder as tais políticas públicas que garantam o respeito a cidadania homossexual, e mais ainda, o reconhecimento da existência do FGHB. A certeza é simples “ninguém quer ficar com a boca escancarada esperando a morte chegar”. Se deixar abater pelos últimos insucessos eleitorais? Isto nunca. Os recentes acontecimentos serviram apenas como alerta para que os homossexuais possam reavaliar o seu momento político e tentem se unir ainda mais em torno de entidades fortes. Que congreguem esforços e em meio a partidos, se aliando a políticos simpatizantes, capazes de pelo menos – se não houver como produzir novas leis – manter no mínimo os já conquistados direitos favoráveis a comunidade. Uma formação das estratégias contra o preconceito e participação mais ativa em campanhas e ações de estimulo a educação, cultura e saúde integral dos homossexuais da Bahia.

Bom, tudo está recomeçando agora, as cartas estão na mesa e a construção do futuro depende de nós. A alienação mata – é um suicídio político não se creditar representatividade a Gays ou Lésbicas, porque ao desacreditá-los e virar-lhes as costas estaremos cavando a própria sepultura . E antes que o retrocesso do mal delete a nossa visibilidade homossexual. Fica com este Fórum de Grupos Homossexuais da Bahia o exemplo do GGB que poderá ser adotado por outros estados da federação. A Liga Gay é extraordinária, ficar de braços cruzados é que não dá!

Mais fotos do Evento e das lideranças presentes veja aqui: