Museu da Sensualidade na Bahia

Essa nossa gente é muito erótica. Não é de agora que até ladeira na Bahia cresce glúteos. Ah então é por isso que baiano tem bundão?. Se é verdade não sei, mas o imaginário pulsa . A Lascívia sobrevive à moral castradora. O remelexo dos homens daqui já virou moda. Ensaio de bloco afro em Salvador ou agito de praia em Porto Seguro é onde o pessoal de fora vê “o que o baiano tem”. Na praia então, nem se fala, transparências, calças de capoeira com tudo balançando, cofrinhos e pentelhos aparecendo é o que mais tem. E se partir pra sacanagem então, aí vocês vão ter um tripé da melhor qualidade: humor, sexo e sensualidade. E quando essa sacanagem vira arte? Quando tem lirismo? Quando é objeto de culto ou delírio? Digo aquela arte erótica sofisticada do tipo expostas em Galerias e Museus? Não seria legal? . O Fenômeno do sexo é contagiante e aprender com ele é mais formidável ainda.

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Mais uma vez a constatação é exata: nada existe de inédito no mundo que não tenha um similar na Bahia. Lá vem o velho Mangabeira de novo e de inédito apresento com muito prazer um acervo todo especial, o do Museu do Sexo no Centro Histórico de Salvador.

Não estamos numa Islândia onde o governo banca um museu do pênis de baleias, mas na cidade do Salvador de poucos recursos, a velha Mãe Preta do Brasil que possui no Pelourinho um Museu dedicado à sensualidade.

Acanhado e precisando urgentemente de sede à altura, um acervo de mais de 500 peças agoniza por falta de espaço de exposição e guarda condigna. Inaugurado em 02 de Setembro de 1998 o mesmo funciona provisoriamente na Rua Frei Vicente n. 24 – Pelourinho, está sob os cuidados do Grupo Gay da Bahia com curadoria do bacharel em História Marcelo Cerqueira e consultoria do antropólogo e etnólogo

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Luiz Mott. Um embrião de projeto museólogico já foi elaborado por discentes da UFBA, a necessidade de monitoração e de reserva técnica destinada ao acervo foi constatada. A duas vitrines em meio ao exercício diário da militância Gay e Lésbica na sede do GGB passam despercebidas nos seus aspectos museográficos. Uma pena porque existem na coleção peças de excelente qualidade com inspiração Inca, Azteca e Maia, algumas Pernambucanas de Trucunhaém, outras da nossa Feira dos Caxixís e muito mais.
marccelus_museu001Além de constar de alguns guias de museus e sites de turismo da Bahia, o Museu da Sensualidade é um motivo a mais para se visitar Pelourinho. O material das unidades artísticas são variados, desde parafina, plástico, têxtil, papel, barro, metal, madeira policromada e porcelana com especial ênfase à arte da cerâmica vendidas em feiras livres e de renomados artesãos populares à exemplo de Noêmia e Luis Galdino, como também constam obras de arte vindas do Peru, México, África Ocidental, da Índia, Holanda, França e outros países.

Como todos sabem o sexo também tem um sentido de rito e divinização patente. Várias são as cenas de forte apelo e apologia aos membros viris. Grandes pênis e poderosas vaginas são constatações estéticas no acervo deste museu. Eu mesmo sou testemunha de tempos passados em que recebíamos no GGB um postal ou foto que um dia seria alvo da exposição apropriada. A coleção foi amealhada ao longo do tempo e com muito carinho e dedicação. Não há censura ou aspectos de constrangimentos outros. Tudo é muito didático na existência deste espólio artístico.

É a partir do Museu que exposiçôes temáticas surgem. Que se vislumbram novas teses ou estudos mais profundos da sexualidade, já que em anexo ao mesmo, o arquivo do GGB é facultado à sérias pesquisas e monografias.

Enfim é necessário tão somente a ampliação das instalações do Museu, quiçá uma nova casa com novos espaços de exposição e pessoal especializado para o manuseio do acervo. Isto é importante. O Museu tem que ser um organismo vivo, dinâmico que possa fundamentar em si um elemento transformador. Daí a necessária sede com espaços para intercâmbios, exposições temporárias, biblioteca especializada, local para palestras e formação de centros de estudos.


O grande bem da cultura imaterial que é o sexo popular está muito bem representado no acervo. Vale à pena conferir. E em se tratando do axé baiano, vejam os grandes Exús [masculinidade e virilidade] com os seus gigantescos pênis e a cerâmica erótica de boa qualidade das nossas feiras livres. Não podem faltar os Gays. Representações do homoerotismo está em alta no Museu, vejam as imagens e se deleitem.

Endereço Provisório do Museu da Sensualidade da Bahia

Rua Frei Vicente, n. 24 – Pelourinho/Salvador/BA

Caixa Postal 2552 – 40022-260 Salvador – BA

Fone/Fax: 71 – 322 2552

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