Claudecyr Hoffmann, a pérola do Pelô

Aportou no coração do Pelô o doce encanto de ” Sisi” – Claudecyr Hoffmanm. A artista plástica e marchand é sócia e curadora no Brasil do pintor sueco Goran Wranbeck. Mulher das muitas viagens “Sisi”, a capricorniana, é uma embaixatriz da arte baiana lá fora. Tem a Bahia nas veias. Estamos aqui com ela, vamos conhecê-la?

marccelus_claudecyrhoffmanm20-1O tempo transforma muita coisa. A Claudecyr de agora é nostálgica?  

Fatos e coisas antigas marccelus são contas no rosário das nossas vidas. Eu nasci na Barra e hoje moro no Edf. Oceania , sempre fomos classe média. A minha família descende de líderes políticos do recôncavo. A nossa casa era no Morro do Gato onde ainda hoje vivem herdeiros de grandes fortunas.Estudei em bons e seletos colégios. Sou de capricórnio, faço aniversário em 28 de dezembro e nunca fui muito atrevida. Tudo começou tardiamente comigo. Custei a namorar e nem queira saber quando perdi a virgindade você não vai acreditar. Só sei que a morte brutal do meu pai, assassinado no dia do meu aniversário dos 13 anos foi algo que me marcou muito. Lamentavelmente fiz o meu calvário interior e esta dor me acompanhou por muito tempo. Então um belo dia alguém lá em cima olhou pra mim e colocou a arte no meu caminho. Atendi ao chamado.


Sendo a arte tão providencial na sua vida, como você a trata?  

Eu pinto. Mergulho e vou fundo na criação. Tenho em Miró [pintor expressionista espanhol] a fonte de minha inspiração. E nos últimos anos tem se realizado o meu grande projeto de vida que era o de ter a possibilidade de divulgar a arte baiana lá fora.  Como marchand tenho intermediado vendas e divulgado artistas de Salvador e de Cachoeira na Alemanha e Itália. Viajo muito. Tenho muitos amigos, e meus contatos mostrando a excelente escultura da terra tem desbancado até o quartel da santaria cubana na Sardenha. Mostro que existe uma alternativa de qualidade nas peças brasileiras. marccelus_claudecyrhoffmanm9-1O culto aos orixás ligado à estética, que propicia um bom nível de apresentação dos trabalhos, me ajuda bastante. Como artista confio e acredito em pessoas que tem talento. Aqui na Bahia estamos à frente da Galeria 13. Mantemos em respeito ao antigo proprietário Deraldo Lima a filosofia da casa: oportunidade de exposição à novos artistas. Também tenho facultado à reuniões, ONGs e grupos performáticos o espaço “Nilda Spencer” anexo à Galeria. Para a temporada de verão da Galeria 13, quem visitar o Pelourinho vai poder ver em nosso acervo as esculturas de Samuel o ferreiro, gravuras do porteño Juan Brito e uma bela mostra de louças e cristais suecos. Quanto ao trabalho de Goran Wanbeck , um premiadíssimo artista escandinavo, temos ótimos exemplares. É imperativo falar no sentimento nórdico das peças. A tridimensionalidade na arte de Goran é um efeito que meche com o emocional do observador. É genial o artista, tanto fazendo arte quanto na pessoa formidável que é. Eu particularmente não consigo dissociar arte de justiça social e meu projeto no futuro será a criação de uma ONG multidisciplinar em educação artística, que seja voltada para o desenvolvimento humano de crianças e de pessoas idosas.

marccelus_claudecyrhoffmanm16-1Entre o céu e a terra, onde está Claudecyr?

Axé e fé nos orixás?  Nos braços de Obá. Sou filha de yansã e dona Oxum comanda. Ela reina absoluta em mim. Sou vaidosa, adoro penduricalhos que brilham…gosto de me enfeitar e de cores fortes. A bijouteria afro tem carisma sobre a minha pessoa. Adoro adereços de palha e muita conchas e contas. A minha religiosidade é intrínseca. Tem seus ritos. Certa vez em Nova York, no Ansônia Hotel na Broadway meu guru Babá Tundé – Babalorixá Olatundé olhou pra mim e não deu outra “é a própria Oxum?” . Claro, carinhoso como ele só. Tenho ido à conferências internacionais de conscientização e ancestralidade afro, tenho respeito pela minha crença. Quando estou na Ponta de Humaitá ou reverenciando meus deuses no azul profundo do Abaeté, sei que e eles estão comigo, a minha fé é firme e forte!

marccelus_claudecyrhoffmanm22-1Cercada por Gays. A “Sisi” é dos alegres?  

Sim e com muito prazer. Não me aproximo ou gosto dos Gays por modismo ou para parecer moderna. Gosto porque gosto e pronto. Para mim tem sido ótimos amigos, me deixam pra cima, são verdadeiros. Não tolero hipocrisia, detesto toda forma de preconceito. Quando você tem medo e conceitos errados dos outros você se torna escravo da ignorância e isto significa um existência infeliz. Participo dos eventos Gays, subo nos trios elétricos nas paradas, sou jurada dos seus eventos, empresto enfeites, cedo o espaço da minha galeria e onde quer que precisem de mim, se posso, ajudo de coração aberto. A sociedade precisa entender que não há diferença alguma entre seres humanos. Todos nós temos a nossa razão e a nossa consciência . Os nossos atos de crueldade para com os outros serão cobrados. Podem acreditar.

Galeria 13 Rua Inácio Acioly n. 23 Pelourinho Tel. (71)266 5609

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