Chiquita na Bahia, chegou a Rainha do Rádio!

 Exclusivo: Rui Benfica conta tudo sobre a Diva

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V9660QaWDia de Emilinha na Bahia. Alvoroço total. Gente pulando da cama logo cedo, muita brilhantina e laquês nas cabeleiras.A gloriosa polícia militar dando os últimos brilhos nos coturnos para receber com honras a sua madrinha e o jóvem Rui nervosíssimo. No alvorecer sob o cantar dos galos, Salvador ainda tinha quintais, e espremidos nas marinetes todos peregrinavamrumo ao distante aeroporto de SantoAmaro do Ipitanga para receber a divina Rainha do Rádio: Emilinha Borba.

O sucesso era “Acapulco”. A rumba estava na boca de todos. Estávamos começando a década de 50 e na cidade da Bahia pouco mais de 500 mil habitantes. Mas o recém fundado fã-clube da Emilinha ia à todo vapor. O moçoilo Ruy Benfica, interiorano de Belmonte se tornara um valete da diva. Professor formado pela antiga escola normal hoje ICEIA encontrou em La Borba a sua razão de viver.

5sKb1mLYDe 1947 pra cá como fiel escudeiro lhe tem costurado roupas elegantes, lhe escutado queixas e lhe guardado os segredos mais íntimos. Eterno e vitalício presidente do Fã Clube da Emilinha Borba na Bahia, Rui não se conforma com a falta de memória da nossa gente e apregoa: ” combati o bom combate e guardei a fé, enquanto pude e meus amigos estavam vivos demos o melhor de nós por Emilinha, mas não entrego os pontos e dessa missão só me impede o caixão”. São décadas de lealdade e são de Rui as mais nostálgicas recordações. “A era do rádio foi tudo na minha vida. A vivi intensamente”.

Vamos voltar no tempo e reviver na Salvador de 1953 uma tarde de sábado no palco do teatro Nazaré. Que sob o comando do bonitão Elias Sobrinho acontecia o “Sabatina da Alegria”. As ondas da Rádio Sociedade da Bahia levava aos lares mais distantes as vozes dos convidados de honra. Cezar de Alencar, o locutor da Rádio Nacional e o número um do Brasil dava uma canja: ” Senhoras e Senhores com vocês a minha, a sua, a nossa favorita Emilinha Borrrrrrrrrrrrrrrrrrrba!”. Era um delírio total. O teatro vinha abaixo. Gritos histéricos e desmaios eram cenas comuns.

Claro que a Rádio Excelsior não ficava por baixo e patrocinava recitais grandiosos com Emilinha Borba. No staff da rádio havia uma orquestra afinadíssima e o espetáculo acontecia ali na Praça da Sé, nos auditórios da Rua Guedes de Brito. O rádio na Bahia sempre teve o seu glamour. Era uma época de excitação. Crooners escolhidos à dedo, eram estrelas também como os famosos das revistas de Hollywood. E deslumbrante era ver o maestro da orquestra gesticular ao infinito com a sua batuta ofuscante. De cabelo empastado e sempre impecavelmente vestido. Música ao vivo, a dália presa ao chão [roteiro escrito para a cantora não esquecer nada] e cobiçados terremotos [gíria gay da época para descrever lindos militares que conduziam a artista do camarim ao palco]. Os canhotos dos ingressos significavam concorrer a brindes. Flâmulas da Rainha do Rádio eram distribuídas a quem chegasse primeiro. E para Emilinha Borba tudo, centenas de faixas ” Rainha dos Estudantes, Rainha das Normalistas, etc.”, corbelhas e mais corbelhas de flores.

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O desfile em carro aberto pela Rua Chile não podia faltar. Aquela parada estratégica na frente das lojas Duas Américas era o chique das celebridades de então. Reis e Rainhas ali paravam para acenar ao público. Era a Bahia da espontaneidade. Das momices ingênuas.
Divididos entre as rivais Emilinha e Marlene e não sabendo nunca o final do duelo artístico, o melhor mesmo para os fãs era se garantir e batisar as filhas de “Emilenes”. E haja baianinhas chamadas assim.

“A Chiquita Bacana” até hoje também pertence aos gays. A “escandalosa” faz parte do ideário e da imaginação de várias gerações de homossexuais. Ela foi por doze anos consecutivos reeleita Rainha do Rádio, atuou em vários filmes, foi garota propaganda e não virou pó ou comédia quando chegou a televisão em 1950.

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Como esquecer alguém que foi tão íntima da Bahia, alguém que representa tanto à memória gay deste país? Quantas pessoas riram, choraram, se apaixonaram e se declararam amantes ao som das cancões da Chiquita? ” Senti a tua boca linda a murmurar…abraça-me por favor minha vida, e o resto deste romance, só sabe Deus…”
Que viva eternamente a nossa favorita Emilinha . Não se esqueçam do recado: ” … uma vez lá em Cuba dançando uma rumba disseram que eu era: Escandalosa!!!”.

 

Alguém pode com ela?

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