André Cupolo, o poderoso da Queens

Entrevistamos hoje o nosso gatão André Cupolo. Advinha pra mim, por onde andava o nosso príncipe dos Barris? O felino sarado estava curtindo a sua temporada européia e agora retorna cheio de novidades. Empresário da noite, hot muscle men, o competente Cupolo sabe que diversificar atrações é o must. O conforto e a segurança do Queens Clube são os selos de qualidade que torna a casa uma referência no entretenimento gay em Salvador. Zeloso por sua clientela André Cupolo fala ao Marccelus Portal e dá um recado: ” ..o lazer transformador do Queens contagia..AQUI não existem fronteiras pra felicidade, apareçam…”

André, como foram os seus dias de Europa? Novidades pra Queens?  

O velho mundo é fantástico. Sempre que posso atravesso o Atlântico. Me encanta a neve, mas a Europa no verão é uma coisa de louco e tem lá os seus encantos. Passei antes por Sampa, fiz parte do seleto e alegre grupo do Davi Aranha [Pinheiro Turismo] rumo à Parada do Orgulho Gay. Nos hospedamos num hotel legal e no coração do Pride. Fiquei impressionado com a eficiência e a organização do evento. Dos banheiros em quantidade aos policiais lindos escolhidos à dedo, parecia que tudo era tão somente perfeição. Tem razão da Parada de São  Paulo ter sido a maior do mundo este ano. Outra coisa que particularmente gosto muito é a Feira do Arouche. Dos objetos à fauna Gay, meu Deus é super completa. Sem falar nas atrações. Vale à pena mesmo. Participei das Paradas de Madri e Genebra. Em ambas notei certas peculiaridades. Como na Suiça o sopão gay que se servia para aquecer as baterias antes do agito.

Você tem uma vasta experiência na noite. O teu feeling para descobrir novos talentos é excepcional. Diz pra gente quais as qualidades de um bom stripper?

Conheço o corpo masculino. Malho desde os 16 anos. Sou atualmente árbitro da International Federation Bodybuilder. Já fui considerado o “mais definido abdômem da Bahia”. Sei quando um homem tem gabarito pra animar uma noite. Não basta ter um rosto lindo ou um corpo perfeito. Há um potencial explicito na ginga, na simpatia da própria pessoa e na cadência da música que o bom stripper ou go go boy tem que aprender, a no mínimo interpretar.Um bom stripper em Salvador é o Sergio Fera – cara marota e sorriso safado – bem no tempo certo tira a roupa e agrada muito a platéia. É um show. Um exemplo de Go Go Boy super profissional é o Mister Bahia 2004 – Ramón Rodrigues – Tem uma energia surpreendente dança muito e incentiva a galera. Pra mim não há dificuldade, to aqui pra ensinar quem precisa aprender. Afinal na vida tudo é um eterno aprendizado. Quando vejo que o garoto promete, não escondo o pulo do gato,ensino tudo mesmo. Só duas coisas são leis no meu estabelecimento: Simpatia absoluta com os meus clientes e tristeza jamais. Sou proprietário de uma casa de entretenimento. As pessoas vem aqui em busca de lazer, diversão e arte. Faço tudo para não decepcioná-las.

marccelus_cupolocarnaval85Falam que você está sempre antenado ao som que rola lá fora. E que o Queens bomba nos lançamentos e se atualiza sempre. É verdade? O que os seus DJs são orientados a tocar que tipo de música, e quem está “in” agora? Você pessoalmente, o que toca?  

Antigas baladas dos anos 80 remixadas estão em alta. São ouvidas agora em qualquer parte do mundo. Roupagens novas para grandes hits do passado caem muito bem e são fantásticas. Eu na Queens, particularmente detono com as minhas batidas rasteiras logo no início da noite e lá pra uma da madruga jogo pesado. Quero ver mesmo é o pessoal ferver de montão. Convido o Dj Chiquinho, que de vez em quando, dá a sua canja muito especial pra gente. Mas os Djs da Queens imperam. O jr que faz o barato do fim da noite não deixa a peteca cair. A seleção dele é espetacular.

O André Cupolo é um homem de sentimentos. Tem alguma recordação legal dos anos 80? Quem ou o que te deixou saudades? Alguma paixão arrebatadora? A perda de um amigo?

Sou virginiano – 14 de Setembro . Gosto das coisas organizadas, sou leal com meus sentimentos e quase sempre vivo atolado de trabalho. Administrar a Queens, toma tempo e para o amor a vida me tem reservado muito poucas oportunidades. Dedicação exclusiva a alguém está difícil, os afazeres não deixa. Quanto às paixões, tive uma grande por alguém de Cosme de Farias, marcou muito. E uma perda que significou muito pra mim foi a do meu amigo carioca Marcos. Vítima da imunodeficiência, morreu e me deixou um grande sentimento de saudade e de gratidão. Ele me acolheu e me ajudou sem nenhum tipo de interesse quando eu passei uma fase difícil, nos momentos piores da minha vida, precisei sair de Salvador para por as idéias no lugar. E lá estava o Marcos de braços abertos.

marccelus_cupolo17-1Parodiando a ” Hora da Estrela” te pergunto: Ser bonito dói? Você é muito assediado, leva muita cantada? Você se cuida, já fez algum tratamento estético em especial?  

Não me acho bonito. Me acho exótico. Já tive mais tempo para malhar e me manter em forma. Agora me faltam horas para treinar. Ando sempre ocupado . Creio que sou um tipo nato da terra. Ser e parecer baiano para mim é uma dádiva muito especial. Quanto ao assédio é comum. Faz parte. Fazendo a noite como eu faço já aprendi a conhecer muito bem as pessoas. Sei quando um elogio ou uma cantada são verdadeiros. Me deixo enganar quando quero e tiro proveito disto. O componente erótico que está impregnado em mim é o culpado. Mesmo com o passar do tempo a curiosidade a meu respeito é grande. Já fui modelo, stripper, go go boy e até hoje bodybuilder. Mas tudo está muito bem resolvido na minha cabeça.

Você é o autor de uma página didática das mais importantes e inéditas. É de sua autoria um ritual de comportamento nos dark roons. Como nasceu a idéia de informar as pessoas a postura ética, higiênica e educada de se portarem nos quartos escuros?

Estar no Dark room é pra muita gente um fetiche que tem que ser respeitado como fonte de prazer. O tratamos aqui na Queens com muita higiene e estabelecemos certas medidas de segurança visando o bem estar e a democratização do ambiente. marccelus_cupolo15-1Todos no dark room devem ter atenção e a sua privacidade e integridade física respeitadas. Naturalmente que em outros grandes centros como em São Paulo e no Rio não há tanto constrangimento em se fazer uso e abuso destes espaços. Mas ainda temos em Salvador um espírito muito provinciano. “Tem-se medo de ser visto ou reconhecido no escuro dando ênfase as suas fantasias mais íntimas” então, para evitar constrangimentos e situações vexatórias enumeramos uma série de sugestões que tornarão a experiência do Dark room um momento excitante…[veja aqui as dicas do Cupolo]

Pra finalizar o espaço é seu. Qual o recado do Cupolo?  

A Queens foi um sonho antigo. Eu queria que a minha cidade tivesse um espaço GLS condigno e de opções variadas. A cultura homossexual é uma coisa que prezo muito.

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Temos que ter história e referência de vida. Tudo que posso fazer para trazer novidades, incrementar a nossa locadora com títulos novos e temáticos gays que são sucesso lá fora, eu trago. Em nossas vitrines estão à venda flags do Raimbow,
chaveiros, adesivos, CDs, Vídeos, preservativos, roupas íntimas super extravagantes, postais, dildos dos mais variados, e muito mais coisas curiosas. Se distraindo, consumindo e se instruindo com certeza o indivíduo melhora a alto estima, vê que não tá sozinho e pode ser a Queens uma ilha de felicidade e uma excelente alternativa pra quem tá sem ninguém ou esperando o príncipe. Desejo que a Queens se torne o lazer transformador. Que os meus clientes se sintam orgulhos por frequentarem uma casa que os respeita.

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